Quem ama compartilha… a senha

Por Ygor Salles

Casal unido é casal que compartilha amor, pensamentos, afinidades, a cama e… senhas e perfis de redes sociais? Isso é mais comum do que parece, de acordo com pesquisa divulgada nesta semana pelo instituto americano Pew Research Center.

Segundo a pesquisa, cerca de dois terços (67%) dos casais americanos sabem as senhas de e-mail e redes sociais um do outro. E mais: 27% compartilham contas de e-mail, 11% compartilham calendários on-line e, finalmente, 11% compartilham perfis em redes sociais. (Aqui, um adendo: por favor, não façam isso. Não tem nada pior do que receber um “Oi” de um perfil compartilhado e não saber com qual dos dois você está falando.)

Há alguns comportamentos comuns que foram encontrados pelos pesquisadores.

O primeiro é que o tempo de relação e a idade influem nos dados: quanto maiores eles forem, aumentam as chances de compartilhamento –o que, para mim, exclui em boa conta o componente ‘ciúmes’ dos motivos para fazer isso.

Outra conclusão é o que chamaria de “foi para o inferno, abrace o capeta”: se um casal compartilha alguma coisa, maior é a chance de fazer o mesmo em outros itens. Por exemplo: entre os casais que compartilham calendário on-line, 90% compartilham senhas, mais de 40% compartilham conta de e-mail e 18% têm perfil conjunto em rede social –índices muito superiores aos da amostragem completa.

Os pesquisadores também questionaram qual é o papel da internet em seus relacionamentos. A maioria dos entrevistados (72%) disse que não tem nenhum impacto, 17% disseram que o impacto foi pequeno e apenas 10% disseram que teve um grande impacto. Os índices, claro, são maiores para os casais mais jovens. Mas, mesmo entre os que possuem de 18 a 29 anos, a maioria (55%) disse que a internet não influi em nada.

Entre os outros recortes feitos na pesquisa, em apenas um a internet foi vista como importante no relacionamento: entre os que se conheceram em sites de namoro (jura?). E, entre estes, 36% ainda negaram a importância da rede mundial de computadores (falar isso entrega minha idade) na vida de casal.

Mas, claro, a tecnologia é fonte de irritação para os casais.

25% dos entrevistados disseram que o/a parceiro/a se distrai com o telefone celular enquanto estão juntos. (Outro adendo: quem nunca?) 8% já reclamaram que o par fica tempo demais on-line, e outros 4% descobriram o que não queria sobre o que o outro fazia no mundo virtual. Todos estes índices sobem em relacionamentos com menos de dez anos, o que mostra que os mais jovens puxam o dado para cima.

Para quem ficou curioso, pode acessar a pesquisa completa aqui.