Este pode jogar: conheça o desafio da ‘Baleia Rosa’ e espalhe boas ações

Por Sarah Mota Resende

Nada de mutilações, ficar horas acordado ou assistir a filmes de terror, como propõe o suposto desafio da Baleia Azul, divulgado em redes sociais, no qual o participante precisa cumprir tarefas macabras até chegar a etapa final: o suicídio.

Sua antítese, com a versão rosa do mamífero marinho, por sua vez, “desafia” os adeptos a contar piadas, fazer carinho em alguém e até desenhar uma guerra de travesseiros, entre outras atividades –são 50, no total.

“Somos dois amigos, um designer, de 28 anos, e uma profissional de marketing, 30 anos. Por acreditarmos que a causa é muito maior que um rosto, preferimos não nos identificar”, dizem anonimamente, por e-mail, à Folha. “Contamos também com a ajuda de uma psicóloga para nos orientar em algumas respostas –no sentido de o que podemos e o que não podemos falar”.

Como o outro desafio, o “jogo” tem o compartilhamento on-line como pano de fundo. “Todas as tarefas devem ser de alguma forma registradas em suas redes sociais”, diz o primeiro aviso aos que toparem realizar os deveres. “Seu mentor estará te observando”, finaliza o recado.

“Acreditamos que mais do que espalhar o bem, a causa foi tomando uma outra proporção, que é abrir os olhos e a cabeça das pessoas para falar de problemas psicológicos. Que isso não é brincadeira nem frescura ou mimimi como falam por aí”, conta a dupla mentora do projeto.

E se a Baleia Azul tem deixado pais de adolescentes que vivem imersos em celulares, tablets e computadores de cabelo em pé, a Baleia Rosa é digna de compartilhamento público sem medo e seleção ilimitada de participantes.

A quem interessar, o site da iniciativa lista as ações a serem cumpridas –diferente da outra versão, esta não precisa de grupo secreto ou qualquer tipo de convite obscuro para começar.

O simpático bichinho também já tem página no Facebook, no Twitter, perfil no Instagram e até lista de músicas no Spotify –“quem canta seus males espanta”, já diz o ditado.

“Criamos Baleia Rosa no último dia 13, depois de conversarmos sobre a Baleia Azul. Acabamos vendo alguns vídeos e chegamos na lista de tarefas. Fomos tomados por um sentimento muito ruim e não quisemos ficar apáticos à situação. Acreditamos que a internet pode ser um meio para espalhar e incentivar coisas boas e esse foi o motivo: tentar mostrar um pouco de felicidade e otimismo na timeline das pessoas”, dizem os criadores.

Voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), Eliane Soares diz à Folha que a brincadeira da Baleia Rosa é proveitosa. “É válida toda iniciativa, seja ela pública ou individual, que estimula as pessoas a cuidarem de suas emoções ou prestarem atenção aos sentimentos das outras e oferecerem ajuda quando necessário”.

Pelas redes sociais, a aprovação da brincadeira está garantida. “Achei lindo criarem o jogo ‘baleia rosa’, as pessoas precisam conhecer e compartilhar”, disse uma navegante do Twitter.

Telefones e sites de ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV): 141
Também é possível entrar em contato e receber apoio emocional da instituição via internet, a partir de email, chat e Skype 24 horas por dia