O ‘aécioporto’ pegou. Pegou?

Ygor Salles

Até julho, as preocupações de Aécio Neves nas redes sociais circulavam em torno do que falavam sobre sua vida pessoal –a pecha de ser boêmio, de ter tido a habilitação apreendida em uma blitz da Lei Seca no Rio ou do suposto consumo de drogas.

Mas, se soubesse o que viria no mês passado, nem teria se preocupado com essas questões e focaria no tsunami que o esperava.

De acordo com o estudo da empresa de monitoramento AirStrip feito a pedido da Folha, que mostrou Dilma bem mais citada nas redes sociais (reportagem sobre o assunto aqui), nada repercute mais negativamente contra os candidatos ao Planalto que o caso do aeroporto de Cláudio (MG), construído em uma área desapropriada que era de um familiar do tucano.

Desde que a Folha divulgou o caso, em meados de julho, já foram mais de 66 mil menções nas redes sociais ao ‘aécioporto’, como o caso foi jocosamente apelidado pelos partidários de Dilma Rousseff. Muito mais que as cerca de 4.000 menções à tentativa de Aécio de retirar do Google notícias sobre sua vida pessoal, alvo de outras 3.500 menções.

É um volume grande até na comparação com temas espinhosos dos concorrentes. Dilma, por exemplo, tem como principal dor de cabeça nas redes sociais a gestão da Petrobras, em especial a queda de seu valor de mercado e os problemas envolvendo a refinaria de Pasadena. Mas as menções desses casos atrelados ao nome de Dilma somam cerca de 16 mil, bem menos que o ‘aécioporto’.

Isso não significa que há poucas menções ao mensalão ou à crise da Petrobras. Só que Dilma é pouco citada junto destes temas. Já o problema do aeroporto cai todo no colo do Aécio.

A despeito da quebra de paradigma inicial que causa estranheza ao eleitor (como um candidato que prega a ética e boa gestão constrói um aeroporto que tem benefícios questionáveis à população, mas inquestionáveis para ele ou sua família?), dois pontos ajudam a explicar como o caso se espalhou nas redes sociais.

O primeiro é que demorou para Aécio começar a dar explicações mais alongadas ao tema. Enquanto ele insistia que não havia nada de errado, o caso se alastrava entre os internautas como rastilho de pólvora.

O segundo é que a campanha petista e os blogueiros que apoiam Dilma perceberam rapidamente o poder destrutivo da denúncia e bombaram o ‘aécioporto’ nas redes sociais –cada desdobramento que há é amplamente divulgado e comentado.

A sorte do tucano é que a campanha eleitoral não começou de fato. Por enquanto, só uma minoria mais engajada e as campanhas se preocupam com o que se diz ou não por aí. Mas o tempo para fazer a poeira baixar está cada vez mais curto –começada a propaganda na TV, qualquer coisa que ainda esteja no ar será (bem) utilizada pelos concorrentes.