Os emojis podem virar a nova forma de escrita, diz especialista

Foto: John Earl/Flick
Mateus Luiz de Souza

Nesta terça-feira (17) é comemorado o Dia Mundial do Emoji.

Se você está se perguntando o que é um emoji, eu tenho certeza que você o utiliza no dia a dia, só não está ligando os pontos.

São aqueles desenhos e carinhas que usamos nas conversas de WhatsApp e Messenger e em posts do Facebook e Instagram.

A data de 17 de julho foi escolhida por ter sido o dia em que o ocorreu o lançamento do iCal, calendário do sistema iOS (utilizado em iPhones e Macs). E é essa data que aparece nos calendários de aparelhos da Apple, enquanto no sistema Android há apenas um calendário genérico.

A origem de emoji remonta a um neologismo japonês que une a palavra “e” (imagem) e “moji” (letra). Tem uma sonoridade parecida com emoticon (a união, em inglês, de “emoção” e “ícone”), mas as duas não estão em nada relacionadas.

O pai dos emojis é o japonês Shigetaka Kurita. Ainda na febre dos pagers, em 1999, ele, um funcionário da empresa NTT Docomo, inventou um alfabeto de caracteres especiais para facilitar a comunicação de sentimentos e ideias abstratas.

Mas como os emojis são criados atualmente?

Nem precisei ir atrás da resposta. Ronaldo Lemos, colunista da Folha e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, abordou o assunto em sua coluna de segunda-feira (16).

Novos emojis são aprovados por um consórcio (composto por empresas como IBM, Adobe, Apple ou Netflix) chamado Unicode, organização sem fins lucrativos com sede na Califórnia, cuja tarefa é analisar propostas e divulgar anualmente as que são aceitas.

Como explica Ronaldo Lemos, essa decisão é bastante importante, afinal, quando um emoji novo é incluído, ele irá aparecer em todos os celulares e computadores do planeta.

Hoje, há 2.789 emojis oficiais. Cerca de 150 novos são incluídos na lista anualmente. A Emojipédia fornece informações sobre cada um deles, como uma breve explicação do significado e até o formato no qual o símbolo é publicado em diferentes plataformas (há pequenas variações de um celular Apple para Samsung ou do WhatsApp para o Messenger, por exemplo).

Foto: AFP

GRUPOS DE FAMÍLIA
Todo mundo que está num grupo de família no WhatsApp já deve ter percebido. Predominam por lá itens visuais, como a imagem de bom dia, o novo meme eleitoral e os emojis.

Nesse Dia Mundial do Emoji, o #Hashtag procurou entender se caminhamos para uma nova forma de comunicação e se os emojis podem ser o prenúncio de uma linguagem usada no futuro.

Para Ronaldo Lemos, há sim uma mudança em curso. “Acho que vamos nos comunicar cada vez mais com emojis e outras formas de comunicação não escrita, como GIFS, memes etc”, afirma.

Ele cita como exemplo os países asiáticos, que já se comunicam de forma pictográfica — há mais de 150 mil caracteres chineses (hanzi ou 汉字 em chinês).

“Não é acidente nem por acaso que os emojis tenham tido seu berço na Ásia. O caso dos caracteres chineses mostra com perfeição como pictogramas podem se tornar um alfabeto completo. Por isso não da para afastar a possibilidade de que os emojis se convertam em uma nova forma de escrita”, conclui Ronaldo Lemos.

Andrea Limberto, pesquisadora em ciências da linguagem da USP (Universidade de São Paulo), lembra que “mais do que substituir a linguagem escrita, os emojis se somam a ela e entram nas brechas onde talvez fizéssemos sentir um gesto ou uma expressão facial.”

Essa apropriação pode ser benéfica, segundo Andrea Limberto.

“Seu uso de forma sábia pode ajudar a aproximar pessoas e fechar negócios”, diz Andrea.

Alguns emojis podem causar confusão, como o cocô sorridente, inusitado símbolo de sorte no Japão.

BATALHA ÁRDUA
Qualquer pessoa pode propor um novo emoji. É preciso submeter uma proposta, que será analisada pelo consórcio. Neste ano, no começo de junho tivemos 62 novos desenhos disponíveis em nossos celulares e computadores.

Novos emojis lançados em junho. Foto: Divulgação

Não há nenhum emoji aprovado que foi proposto por um brasileiro.

Não por falta de tentativa de Anna Levin, professora de medicina da USP, como mostrou a revista piauí.

Anna pratica remo na raia da USP, em São Paulo, onde as capivaras viraram mascotes de tão presentes no dia a dia dos frequentadores — elas batizam até uma regata anual organizada na raia universitária.

Anna e seus colegas sentiam falta, no entanto, do emoji da capivara na hora de mandar mensagens pelo WhatsApp.

Ela entrou em contato, ainda em 2017, com a plataforma e descobriu que deveria submeter ao Unicode Consortium.

O processo de candidatura desestimulou a professora universitária no meio do caminho. “É mais complexo que enviar um projeto à Fapesp”, contou à repórter Paula Scarpin.

Faltava a ela, no ano passado, um desenho da capivara, parte essencial da proposta.

Procurei Anna Levin para saber se havia tentado em 2018. E dessa vez ela tentou!

Uma amiga de sua filha e um colega criaram o desenho.

Desenho por Gabriel Oliveira e Flávia Trevisan/Divulgação

O projeto foi avaliado e aprovado, mas não foi considerado prioritário. Em junho, saíram os novos escolhidos e, para decepção de Anna Levin, a simpática capivara não estava no meio.

“Saiu até lhama, mas não a capivara”, lamenta.

Ela quer, agora, começar uma campanha de apoio para pressionar o consórcio.

EMOJIS POPULARES

O Google divulgou quais são os emojis usados com mais frequência no Gboard, o teclado virtual do Google para Android.

Em escala global, temos:

No Brasil, os três mais usados são:

No Twitter, na lista de Trending Topics de emojis usados pelos brasileiros temos:

O site de relacionamento Par Perfeito também divulgou os mais frequentes por lá.

No ano passado, o Facebook também divulgou quais eram os emojis mais populares na redes social e no Messenger.

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